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A psicanálise

O que é a Psicanálise?

A psicanálise é: Um método clínico baseado na escuta e na fala, uma teoria da mente que investiga o inconsciente, um sistema de pensamento que atravessa psicologia, filosofia, arte e cultura. Ela busca entender como desejos reprimidos, traumas, fantasias e conflitos internos moldam nossos comportamentos, sintomas e relações. A escuta psicanalítica não julga ela revela.

Origem da Psicanálise; a psicanálise foi criada por Sigmund Freud no final do século XIX. Médico neurologista austríaco, Freud começou a tratar pacientes com sintomas sem explicação orgânica — como paralisias, desmaios e angústias — que na época eram chamados de “histeria”. Influenciado por estudos com Jean-Martin Charcot (hipnose) e josef Breuer (método catártico), Freud desenvolveu uma nova abordagem: escutar o paciente, permitir que ele associe livremente ideias e interpretar os conteúdos que emergem. Em 1896, ele cunha o termo “psico-análise”, em 1900, publica “A Interpretação dos Sonhos”, marco fundador da psicanálise como ciência do inconsciente.

Principais conceitos da psicanálise

– Inconsciente: parte da mente onde desejos reprimidos e conteúdos não acessíveis à consciência operam

– Associação livre: técnica em que o paciente fala livremente, revelando conteúdos inconscientes

– Transferência: sentimentos do paciente projetados sobre o analista

– Complexo de Édipo: conflito infantil entre desejo e proibição, central na formação do sujeito

– Id, Ego e Superego: estrutura do aparelho psíquico

– Pulsões: forças internas que movem o desejo (Eros e Tânatos)

Ato falho, sonho, sintoma: manifestações do inconsciente

Autores fundamentais da psicanálise

Sigmund Freud; Fundador da psicanálise; inconsciente, sexualidade, sonho, Carl Jung Psicologia analítica; arquétipos, inconsciente coletivo, Melanie Klein Psicanálise infantil; fantasia inconsciente, posição esquizoparanóide, Jacques Lacan; Linguagem, estrutura,, desejo; “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”, Donald Winnicott; Teoria do cuidado, objeto transicional, falso self, Wilfred Bion; Pensamento, grupo, função alfa; teoria do conhecimento emocional.

A psicanálise continua viva em:

– Clínicas e consultórios

– Escolas e universidades

– Arte, literatura, cinema

– Debates sobre subjetividade, cultura e sofrimento humano

Ela não oferece respostas prontas , oferece escuta, elaboração e transformação.

Profª Dra.Nivea Oliveira
Psicanalista Clinica

Teoria das Pulsões / Freud- Eros – Tânatos

A teoria das pulsões é um dos pilares da psicanálise freudiana uma chave para entender o funcionamento do psiquismo humano, seus desejos, conflitos e sintomas.

O que são pulsões segundo Freud

Freud usou o termo alemão Trieb (traduzido como “pulsão”) para descrever uma força interna, uma energia psíquica que nasce de uma necessidade corporal e busca descarga ou satisfação. Diferente do instinto, que é fixo e biológico, a pulsão tem um objeto variável e pode se expressar de forma simbólica, indireta ou até patológica.

Componentes da pulsão

Toda pulsão possui quatro elementos:

– Fonte: a excitação corporal (ex: fome, desejo sexual)

– Meta: a satisfação da necessidade

– Objeto: aquilo que permite a satisfação (pode variar)

– Impulso: a intensidade da força que move o sujeito

Evolução da teoria das pulsões

Pulsões do Eu e Pulsões Sexuais

Nos primeiros escritos, Freud dividia as pulsões em:

-Pulsões de auto-conservação (fome, sede, proteção)

– Pulsões sexuais (ligadas ao prazer e à reprodução)

Pulsão de Vida (Eros) e Pulsão de Morte (Tânatos)

A partir de Além do Princípio do Prazer* (1920), Freud propõe uma nova dualidade:

Eros: Busca união, criação, vínculo, prazer, sublimação

Tânatos: Busca dissolução, repetição, agressividade, retorno ao inorgânico.

Essas forças coexistem e se equilibram. Quando há conflito entre elas, surgem sintomas, neuroses ou comportamentos destrutivos.

Pulsões e psicopatologia

Neurose: Resultado do conflito entre pulsões reprimidas e exigências do ego

Sintoma: Expressão simbólica de uma pulsão recalcada

Sublimação: Transformação da energia pulsional em atividades criativas ou socialmente aceitas.

A correlação entre Eros e Tânatos; é uma das mais profundas e paradoxais dentro da teoria psicanalítica de Freud. Ela revela o conflito essencial que habita o psiquismo humano: o desejo de viver e o impulso de destruir.

Eros – A Pulsão de Vida

Eros representa a energia vital, o impulso que busca união, criação, prazer e vínculo. É a força que nos move a preservar a vida, formar laços, amar, cuidar e construir. Freud associa Eros à sexualidade, mas também à sublimação quando transformamos esse desejo em arte, cultura, conhecimento.

Características de Eros:

  • Desejo de viver e crescer
  • Impulso para conectar-se com o outro
  • Busca de prazer e satisfação
  • Expressa-se no amor, na criatividade, na cooperação

Tânatos – A Pulsão de Morte

Tânatos é o impulso contrário: uma tendência à dissolução, repetição, agressividade e retorno ao estado inorgânico. Freud introduz esse conceito em Além do Princípio do Prazer (1920), ao observar comportamentos autodestrutivos e compulsivos que não se explicavam apenas pela busca de prazer.

Características de Tânatos:

  • Desejo inconsciente de apagar a tensão psíquica
  • Impulso à destruição, tanto do outro quanto de si
  • Repetição de traumas e padrões dolorosos
  • Presente em atos violentos, vícios, sabotagens

Eros e Tânatos Forças complementares

Freud não os via como opostos absolutos, mas como forças complementares que coexistem e se equilibram dentro do sujeito. A vida psíquica é marcada por esse diálogo constante entre construção e destruição.

  • Eros constrói, Tânatos desintegra.
  • Eros une, Tânatos separa.
  • Eros deseja o outro, Tânatos deseja o fim.

Esse embate se manifesta em sonhos, sintomas, relações e na cultura. Por exemplo, uma relação amorosa pode conter desejo de fusão (Eros) e também ciúme, controle ou destruição (Tânatos).

Na clínica psicanalítica

O analista escuta esse conflito nas entrelinhas do discurso:

  • Quando o paciente repete padrões que o fazem sofrer, Tânatos está em ação.
  • Quando ele busca elaborar, criar sentido, se vincular, Eros se manifesta.

A escuta clínica busca dar forma ao que não tem forma, permitindo que o sujeito reconheça e elabore essas forças interna.

Fonte: www.psicanlisefacil.com.br

Prfª Dra. Nivea Oliveira
Psicanalista clinica

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