Educação e Saúde Mental: Alicerces do Desenvolvimento Humano
O desenvolvimento humano não se constrói apenas com acesso ao conhecimento, mas com a capacidade de sentir, elaborar e se relacionar com o mundo de forma saudável. Nesse sentido, educação e saúde mental são pilares inseparáveis na formação de sujeitos conscientes, resilientes e socialmente ativos. A educação, quando pensada além do conteúdo acadêmico, torna-se um espaço de escuta, acolhimento e construção de vínculos. É na escola, na comunidade e nos espaços educativos que crianças e jovens aprendem a nomear emoções, lidar com frustrações, desenvolver empatia e construir sua identidade. Um ambiente educacional que promove o bem-estar emocional é também um terreno fértil para o florescimento de potencialidades. Por outro lado, a saúde mental é condição essencial para que o processo educativo aconteça de forma significativa. Transtornos como ansiedade, depressão ou estresse crônico podem comprometer a aprendizagem, a autoestima e a capacidade de convivência. Por isso, investir em práticas educativas que considerem o emocional como educação socioemocional, escuta ativa e mediação de conflitos é investir no ser humano por inteiro.
A integração entre educação e saúde mental favorece o desenvolvimento humano em sua totalidade: físico, emocional, cognitivo e social. Ela permite que cada pessoa não apenas aprenda, mas se reconheça como sujeito de direitos, capaz de transformar sua realidade e contribuir para uma sociedade mais justa e empática.
Educar com cuidado é cuidar com propósito. E cuidar da mente é abrir espaço para que o conhecimento se torne libertação.

Assistente Social
Psicanalista Clinica
O Histórico sobre o feminismo e a discussão de gênero
Refletir em torno da violência contra mulher implica em relacionar a variados aspectos, pois como foi já citado este é um fenômeno multifacetado. Desta forma como no início faz-se pertinente uma breve discussão sobre gênero, e sendo este um dos fatores com mais relevância no tocante a compreensão da violência. Ao longo da história surgiu uma validação científica das relações de poder existentes entre homens e mulheres. Tal relação se deve ao fato de relacionar essa questão com fatores biológicos, sendo esta uma construção de ordem social passando até o “aval” científico em sua legitimação (Zanello, 2017).
Ao se observar gravuras em livros de anatomia do século XVIII, é possível notar a forma como eram retratados os aparelhos reprodutores masculinos e femininos. Sendo possível verificar semelhanças entre ambos, onde o órgão reprodutor feminino era representado de maneira semelhante ao órgão masculino, porém atrofiado (Zanello, 2017). A mulher, assim passou a ser vista como um homem incompleto, assim legitimando a sua inferioridade.
É notável que existem diferenças biológicas, pois são corpos distintos que apresenta funções diferentes. A problematização abordada é que a desigualdade que existe entre homens e mulheres não possui explicação biológica e sim em arranjos sociais e como estes foram construídos ao longo da história (Louro, 1997).
No decorrer dos anos as reivindicações que a militância feminina criaram condições para que a violência sofrida pelas mulheres ganhasse legitimidade e gravidade propiciando a criação de políticas públicas e garantia dos direitos antes negados para esta minoria (Bandeira, 2014).
O Sufragismo foi conhecido como a “primeira onda” do feminismo. Este movimento tinha como foco ampliar o direito do voto as mulheres, mas, tais objetivos por elas reivindicados era um dos interesses de mulheres brancas e da classe média. Mas, apesar do seu alcance seguiu com um período de acomodação no movimento (Louro, 1997).
Por volta das décadas de 60 e 70 a “segunda onda” do feminismo, sendo esta uma época marcada por mudanças culturais significativas para o movimento, na qual papéis sociais antes naturalizados para homens e mulheres, passando a ser questionados (Zanello, 2017). Neste momento, o feminismo começar a ter preocupações sociais e políticas, voltadas essencialmente para as construções teóricas, neste período que surgiu o termo “gênero”. É nesse período que militantes femininas trazem para as universidades e escolas questionamentos que mobilizam seus trabalhos, surgindo assim estudos da mulher. Evidenciando os seus objetivos, que antes era ocultos (Louro, 1997).
Mesmo que ainda presente tal estruturação tem modificado e tomando novas características, apesar da divisão existente, as mulheres passaram a tomar alguns espaços públicos, mesmo em funções similares as exercidas esfera privada, sendo exemplo os cargos de cuidar adora e educadora. Contudo o espaço privado ainda não é um lugar com predominância feminina, pois a maioria das mulheres possuem jornada dupla, com as divisões de tarefas domésticas desiguais.
As relações de poder que podem existir entre gêneros tem grande ligação com a existência do sistema patriarcal. A violência simbólica é apenas um dos muitos tipos de violências que podem emergir do cenário da relação de poder entre homens e mulheres. Esta forma de dominação também pode se apresentar mediante a outras cinco formas: a física, psicológica, a sexual, e patrimonial e moral.
No tocante a violência física ocorre por meio de uma conduta que possa ferir a integridade ou a saúde corporal do indivíduo, sendo facilmente identificada. Já a violência psicológica ocorre a partir de condutas que podem causar danos emocionais, diminuição da autoestima, ou qualquer atitude que venha prejudicar o perturbar o desenvolvimento e as ações dos indivíduos.
A violência sexual ocorre através de uma conduta que venha coagir a vítima a presenciar ou participar de relações sexuais não consentidas. Ocorrendo por meio de ameaças, intimidações, coação ou uso de força. Proíbe que a vítima faça uso de métodos contraceptivos e força relações sexuais dentro do matrimônio, também é considerada uma violência sexual. A violência patrimonial se dá a partir de condutas que levam destruição parcial ou total de objetos da vítima, além da retenção e subtração destes.
Por fim, é possível observar que a violência contra mulher trata-se de um fenômeno complexo e necessita ser estudado amplamente. A interseccionalidade é a forma de se enxergar determinado fenômeno por intermédio da intersecção juntamente a outros fatores sociais, como a classe social, cor, idade entre outros, pois essas diversas categorias sociais atuam como marcadores de diferenças entre indivíduos, correspondendo assim a formas específicas de opressão e desigualdades (Pedrosa, 2017).
A religião e sua presença na construção do “Ser Mulher”
Como citado anteriormente, o fenômeno da violência contra mulher é multifacetado isto deve ser considerado ao se pesquisar tal fenômeno. Contudo, o presente projeto abrir discussões para um desses fatores, que está contido na vida das mulheres, sendo este a religião. Neste contexto de fundamentação a religião será discutida, tendo em mente esse aspecto contido num macrossistema, abordando questões críticas ao que se refere aos papéis de gênero que são passados para essas mulheres e como ela está interligada ao sistema patriarcal, existente em outras esferas sociais.
Apesar da religião não exerce a mesma importância social sobre os indivíduos e o mundo, assim como antigamente, ela possui forte influência na produção universal dos sentidos. Entretanto com o seu enfraquecimento, ocorreu um atualização do seu sentido, passando agora a não ser mais algo obrigatório e imposto, mas à uma escolha individual ao seguir seus dogmas e ensinamentos (Pontes & Cavalcante, 2016).
A mudança proporcionada por meio da vivência religiosa em torno do comportamento na visão de fiéis é considerada como importante, na melhora da qualidade de vida, em principal acerca da modificação do olhar em relação ao mundo. Onde a relação com o divino pode ser compreendida como um fator primordial para a ressignificação na vida dos indivíduos (Freitas & Holanda, 2014).
A religião oferta três tipos de apoio, dentre estes um é espiritual e dois institucionais. No tocante ao apoio espiritual refere-se ao aspecto teológico, um apoio que parte dos ensinamentos que são transmitidos para os fiéis. Já o apoio institucional caracteriza pelos serviços ofertados para a comunidade a formação dos grupos de fiéis, propiciando uma rede de apoio social (Cerqueira, 2008).
Estes apoios são essenciais para os indivíduos, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade, seja por questões financeiras ou por questões mais afetivas. Aos que veem a religião como um lugar de apoio para as dificuldades que surgem, ainda que neste meio tenha uma violeta reproduzida simbólica. Diante disso, as pessoas tendem a observar religião mas como algo positivo do que negativo.
A violência simbólica contra as mulheres ocorre em variados espaços, que vão além dos físicos, e está inserido nas relações e nas construções subjetivas, sendo esse um mecanismo de controle presente na sociedade patriarcal. Pertencendo a essa sociedade igreja contribui para essas reformas de dominação fazendo uso de tais mecanismos.
O mecanismo utilizado pela Igreja apoia o seu discurso mediado pelo sagrado, que age como um delimitador das relações sociais, direcionando e hierarquicamente os indivíduos. Essa determinação ocorre com a distinção de gênero ao que se refere ao mundo do masculino e feminino. O pólo superior o masculino, marcado pela identidade do próprio Deus, como sendo do gênero masculino, e do seu filho Jesus, sendo mediador da humanidade e da divindade, representado pelo gênero masculino (Pontes & Cavalcante, 2016).
A figura materna e a renúncia é repassada a partir do modelo de Maria, Mãe de Jesus Cristo. Ela é apresentada como característica de sacrifício e renúncia, sendo mostrados como algo que as mulheres devem seguir. Ela é a figura mais lembrada por se “doar” de corpo e alma ao seu destino definido por Deus, onde este era gerar o seu filho na terra. Onde é reforçado esse imaginário feminino, como alguém que sempre sede e renuncia e sempre está disponível o outro. Contendo nessa construção da figura de Maria uma violência simbólica, pois ela é mostrada como modelo a ser seguido e que é algo irreal, pois Maria ao mesmo tempo que é virgem é mãe (Kikuchi, 2015).
Essa ideologia acerca da figura feminina é alimentada das representações hierárquicas contidas nas cerimônias litúrgicas, sendo Papa, arcebispos e padres figuras de autoridade com maior número de cargos. No entanto as mulheres exercem poucos cargos na escala hierárquica, Tendo menos poder, sendo o caso das Albadessas, Monjas e Freiras.

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